domingo, 2 de agosto de 2009

Há limite para o sofrimento?

Outra derrota. Sinto-me envergonhado. Desesperado. Abatido. Melancólico. Quando pensamos que não dá para piorar, vemos que estamos enganados. Tudo pode ficar pior. Somos os últimos colocados do Brasileirão. No momento, tenho dificuldades para digitar devido a uma dor no punho, resultado de um soco na parede ao final do jogo. Até tentei torcer em silêncio. Durante a maior parte da partida, sofri sem falar nada. Dor no peito, lábios imóveis. Porém, naqueles instantes finais, a dor explodiu. Não deu para me conter. Gritei com a cabeçada na trave de um jogador cujo nome não me lembro de tão irado que estava. Levei as mãos à cabeça com a defesa milagrosa de Galatto. As lágrimas saltaram dos meus olhos em cascata. Fazia tempo que não chorava por futebol. Hoje não deu para segurar. O sofrimento não cessa. A cada rodada, a dor aumenta.

Campo enlameado, gramado em péssimas condições. Nem isso serve de desculpa para a exibição que o "time" do Fluminense hoje protagonizou. Chamar o bando de hoje de time é uma ofensa aos conceitos da língua portuguesa. Ao contrário da evolução que vínhamos testemunhando, hoje houve regressão. Defesa fraca, meio-campo inexistente, ataque nulo. Conca, que muitos idolatram, fez uma das suas piores partidas vestindo o manto sagrado. Não vi Ruy jogar. Na defesa, com a insegurança de sempre. Roni e Kieza recebendo bolas quadradas. Raramente chegava alguma em condição para se dar continuidade à jogada. Quando isso ocorria, erravam passes, ou eram desarmados. Hoje senti vergonha. Em momento algum vi o time com capacidade para reagir. Para honrar a camisa que vestem. Até acreditava em uma vitória, mesmo com o lastimável futebol apresentado pelo Fluminense. Então veio o golpe. Gol de Paulo Baier de falta, no primeiro tempo. Mandou onde a coruja dorme, como costumam dizer. Nem raiva eu tive. O que senti foi um angústia sem fim. Angústia essa que me acompanhou durante todo o segundo tempo e que se transformou em desespero ao final do jogo. Bola na trave, defesa espetacular de Galatto. Por um triz, o Flu não empatou. Mas é por esse triz que equipes deixam de ganhar títulos, que times são rebaixados. O Fluminense Football Club não pode depender de gols obtidos no desespero. O torcedor tricolor não pode continuar rezando para que a sua equipe consiga um empate sofrido. A verdade é que o Fluminense, há um tempo considerável, não honra as suas tradições.

Os torcedores tricolores hoje dormirão na lanterna. O último colocado. O pior entre todos os que disputam a Série A. Um clube considerado grande não merece passar por isso. Continuo fazendo o meu apelo. Aqueles que podem mudar isso, corram atrás. Eu sou um incapacitado pela distância. Só posso continuar postando neste blog. A única coisa que alivia o meu desespero. Só peço a vocês, torcedores do Rio, que, caso não queiram protestar, ao menos compareçam ao Maracanã. É hora de apoiar. Abandonar o time só acelera o processo de decadência. Se tudo continuar como está, o filme do final da década de 1990 se repetirá, e, com isso, o respeito, já abalado, que nos resta desaparecerá completamente. Temo por isso. Temo pelo Tricolor. Mas deixo sempre claro: eu não desisto fácil. Até o meu último dia de vida, estarei de pé, com o manto sagrado. Mesmo que não possa mudar a mentalidade da torcida e dos que comandam o Flu, apoiarei. Afinal, "na vida, tudo passa, só o Fluminense não passará jamais!", segundo o célebre Nelson Rodrigues. Força, Fluminense.

Saudações Tricolores

4 comentários:

jose vicente disse...

Dieguinho, Ed Carlos, vai pra onde?Lamentavel.Urge providencias urgentes

jose vicente disse...

Corrigindo: um time com Conca que errou 16 jogadas, Diguinho, Dieguinho, Ed Carlos, vai pra onde?

PC Filho disse...

É, Eduardo, tá difícil...

No meu texto, nem comentei sobre o jogo. Apenas convoquei para o próximo.

Haja coração...

Glenda Barbosa disse...

"O limite tá na cabeça de cada um" César Cielo.

Desgastante assistir aquele jogo ontem. Angustia, dor, tristeza, um misto de tudo que há de ruim.

Te seguirei a partir de agora, tricolor! E quinta, estarei lá, justamente pra representar quem não pôde comparecer. Eu, meu pai, e dois vizinhos. MAIS DO QUE NUNCA, O Fluminense precisa de nós. Apoiar DESDE JÁ.

ST,
Glenda.